quarta-feira, 21 de julho de 2010
O General, O Coronel e O Sabujo
Não sejas sabujo, pá!
Estás do lado dele porque ele é General e eu sou Coronel?
Claro, Coronel! Sempre é mais simples o General livrar-me da tropa dos séniores que vai ser obrigatória, não sei se sabe, que o senhor, que é só Coronel...
Este diálogo militarizado que conheci, quando por lá passei, há quase quarenta anos, culminou o almoço acalorado da tertúlia de amigos das sextas-feiras, que muito aprecio.
Mas quem manda um civil discutir com militares o perfil de João Franco, primeiro-ministro da parte final do reinado de Dom Carlos?
Apenas a particularidade de na minha juventude de estudante liceal o mesmo João Franco ser um símbolo da rivalidade.
João Franco era a figura máxima do Alcaide, terra fronteira da minha que era Donas. E em Donas, naquele tempo, a única arma que encontrei para contrabalançar os meus colegas do Alcaide, era um cabeça de estátua, natural da terra, João Pinto dos Santos, postado num granítico pedestal, e onde encontrei gravado em letras douradas: "Honra do Foro e do Parlamento".
Claro que em honrarias a minha terra estava nítidamente em plano subalterno e alguma coisa teria de ser feita para salvar o bom nome do povo donense. Nada como desafiar os do Alcaide para um jogo de bola no seu largo principal. Lembro-me que marquei o golo da vitória em terra do "inimigo" e tive que fugir por montes e vales para não levar uma coça.
Mas, ao mesmo tempo, o meu amigo Tony, ANTÓNIO Manuel Oliveira GUTERRES, o menino sábio, com quem passava as intermináveis tardes do verão beirão, no terraço da casa do seu avô, jogando xadrez ou às damas, se encarregou de me explicar quem era João Franco, coisa que, à época, ainda não constava nos manuais de história do liceu.
Tony, que viria a ser sucessor, quase 100 anos depois, no mesmo cargo de primeiro-ministro do nosso vizinho rival, nos intervalos das jogatanas de tabuleiro, em que por regra o "score" era 60/40 a seu favor (mas atenção que ele respeitava as minhas tácticas de ataque!), contava-me, enquanto bebiamos a fresca limonada preparada pela sua avó, o que sabia sobre o tema.
E a ideia que na altura formei de João Franco, homem pequenino, que falava "achim" e com tiques anti-democráticos, pouco ou nada se modificou pelas leituras complementares.
Mas a personagem persegue-me. Nas discussões estéreis com os colegas do liceu, no primeiro raspanete a sério no escritório do meu Pai, na Rua João Franco e, agora, acaloradamente, na mesa da melhor tertúlia de amigos. É obra!
Mas saiba V.Exa., meu Coronel, que só conheci um verdadeiro "sabujo". Era o cão preferido do Sherlock Holmes, o tal dos criptógramas, e a quem o "sabujo", leal e cordialmente, prestou inestimáveis serviços, ajudando-o a decifrar os enigmas.
terça-feira, 20 de julho de 2010
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Navegadores
"Porém já cinco Sóis eram passados
Que dali nos partíramos, cortando
Os mares nunca doutrem navegados,
Prósperamente os ventos assoprando,
Quando uma noite estando descuidados,
Na cortadora proa vigiando,
Uma nuvem que os ares escurece
Sobre nossas cabeças aparece."
"Tão temerosa vinha e carregada,
Que pôs nos corações um grande medo;
Bramindo o negro mar, de longe brada
Como se desse em vão nalgum rochedo.
— "Ó Potestade, disse, sublimada!
Que ameaço divino, ou que segredo
Este clima e este mar nos apresenta,
Que mor cousa parece que tormenta?"
"Não acabava, quando uma figura
Se nos mostra no ar, robusta e válida,
De disforme e grandíssima estatura,
O rosto carregado, a barba esquálida,
Os olhos encovados, e a postura
Medonha e má, e a cor terrena e pálida,
Cheios de terra e crespos os cabelos,
A boca negra, os dentes amarelos."
"Tão grande era de membros, que bem posso
Certificar-te, que este era o segundo
De Rodes estranhíssimo Colosso,
Que um dos sete milagres foi do mundo:
Com um tom de voz nos fala horrendo e grosso,
Que pareceu sair do mar profundo:
Arrepiam-se as carnes e o cabelo
A mi e a todos, só de ouvi-lo e vê-lo."
"E disse: — "Ó gente ousada, mais que quantas
No mundo cometeram grandes cousas,
Tu, que por guerras cruas, tais e tantas,
E por trabalhos vãos nunca repousas,
Pois os vedados términos quebrantas,
E navegar meus longos mares ousas,
Que eu tanto tempo há já que guardo e tenho,
Nunca arados d'estranho ou próprio lenho:"
— "Pois vens ver os segredos escondidos
Da natureza e do úmido elemento,
A nenhum grande humano concedidos
De nobre ou de imortal merecimento,
Ouve os danos de mim, que apercebidos
Estão a teu sobejo atrevimento,
Por todo o largo mar e pela terra,
Que ainda hás de sojugar com dura guerra."
— "Sabe que quantas naus esta viagem
Que tu fazes, fizerem de atrevidas,
Inimiga terão esta paragem
Com ventos e tormentas desmedidas.
E da primeira armada que passagem
Fizer por estas ondas insofridas,
Eu farei d'improviso tal castigo,
Que seja mor o dano que o perigo."
(Lusíadas - Canto V)
terça-feira, 22 de junho de 2010
quarta-feira, 9 de junho de 2010
A Toca do Caboz - Since 1949
Era tempo de guerra colonial, centenas de cadetes, futuros oficiais milicianos, recebiam a sua breve, mas intensa, formação militar em Mafra. África era o destino. Fazer a guerra e voltar vivo e inteiro era o grande objectivo.
A preparação física e psicológica, a motivação e liderança, a táctica e estratégia, ministradas na Tapada, eram intensivas e desgastantes, mesmo para gente de 20 e poucos anos.
Havia que compensar o corpo e a alma de tão grande desgaste e logo que a hora da liberdade chegava, a corrida para a Toca do Caboz na Ericeira ganhava foros de prioridade. Ali chegados e garantido o lugar à mesa, o resto ficava por conta da imaginação e da perícia culinária das irmãs Ana Maria e Odete.
Para minha surpresa, passados todos estes anos, reencontrei a Toca do Caboz, o magnífico restaurante de outrora, a funcionar em pleno, agora sob a gerência do sobrinho Luis.
Como um final de tarde de Junho, degustando um petisco dos deuses - choquinhos à moda da casa - nos pode fazer reviver intensamente o passado?
Um passado, já longínquo, de mais de 40 anos!
Há coisas que não morrem!
A preparação física e psicológica, a motivação e liderança, a táctica e estratégia, ministradas na Tapada, eram intensivas e desgastantes, mesmo para gente de 20 e poucos anos.
Havia que compensar o corpo e a alma de tão grande desgaste e logo que a hora da liberdade chegava, a corrida para a Toca do Caboz na Ericeira ganhava foros de prioridade. Ali chegados e garantido o lugar à mesa, o resto ficava por conta da imaginação e da perícia culinária das irmãs Ana Maria e Odete.
Para minha surpresa, passados todos estes anos, reencontrei a Toca do Caboz, o magnífico restaurante de outrora, a funcionar em pleno, agora sob a gerência do sobrinho Luis.
Como um final de tarde de Junho, degustando um petisco dos deuses - choquinhos à moda da casa - nos pode fazer reviver intensamente o passado?
Um passado, já longínquo, de mais de 40 anos!
Há coisas que não morrem!
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Em Espanha com bom vento e um bom casamento !
Diz o velho ditado português que "De Espanha nem bom vento nem bom casamento!"
Na verdade, os ventos vindos de leste são bem mais desagradáveis que os do lado do mar que amenizam o nosso clima e os casamentos arranjados aos nossos reis, pelos nossos vizinhos, significavam normalmente dependência política.
E o problema agravava-se quando do lado de lá despachavam uma princesa como Carlota Joaquina para o nosso futuro rei João VI. Com esta andaluza de menos de um metro e meio, anafadinha e feia, o bom do João preferiu caçar javalis e dormir sózinho no convento em Mafra...
Mas os ventos mudaram!
E nem a ameaçadora nuvem de cinzas vulcânicas me fez parar na caminhada para testemunhar, na Costa Brava da Catalunha, sob um suave vento mediterrânico, um bom casamento.
Da Maria, "La catalana", com o Jorge, "El peruano".
Ambiente magnífico, que começou na igrejinha de Santa Rosa em Llafranc, junto ao mar, e se prolongou pela noite dentro no paradisíaco "El Far" com soberba vista para a imensidão do Mediterrâneo.
Gracias Maria y Jorge, muchas felicidades para vosotros!
Jamás olvidaré la entrada triunfante en "El Far" con "A Canção do Mar" de Dulce Pontes con que has distinguido un par de portugueses entre centos de invitados de distintos idiomas.
Na verdade, os ventos vindos de leste são bem mais desagradáveis que os do lado do mar que amenizam o nosso clima e os casamentos arranjados aos nossos reis, pelos nossos vizinhos, significavam normalmente dependência política.
E o problema agravava-se quando do lado de lá despachavam uma princesa como Carlota Joaquina para o nosso futuro rei João VI. Com esta andaluza de menos de um metro e meio, anafadinha e feia, o bom do João preferiu caçar javalis e dormir sózinho no convento em Mafra...
Mas os ventos mudaram!
E nem a ameaçadora nuvem de cinzas vulcânicas me fez parar na caminhada para testemunhar, na Costa Brava da Catalunha, sob um suave vento mediterrânico, um bom casamento.
Da Maria, "La catalana", com o Jorge, "El peruano".
Ambiente magnífico, que começou na igrejinha de Santa Rosa em Llafranc, junto ao mar, e se prolongou pela noite dentro no paradisíaco "El Far" com soberba vista para a imensidão do Mediterrâneo.
Gracias Maria y Jorge, muchas felicidades para vosotros!
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Da Sopa da Pedra à Nova Esquerda
Foto: ATP
Almeirim, 17 de Abril de 2010
Da lenda da sopa da pedra, recordo que o frade chegou a uma localidade, meio cansado e com a barriga a dar horas, bateu à porta dum simpático casal de idosos, dizendo-se capaz de fazer uma maravilhosa sopa a partir da pedra que empunhava. E, iludindo os hospedeiros, conseguiu fazer uma deliciosa refeição com os melhores produtos que estes, com o seu trabalho, semearam, criaram e colheram. E depois de reconfortado, o frade lavou a pedra e saíu para pregar noutra freguesia...
Enquanto comia a excelente sopa da pedra no restaurante pioneiro da dita, em Almeirim, constatei então que esta lenda, nos tempos que correm, não poderia ser mais actual e, mais grave ainda, estes "frades" ilusionistas multiplicaram-se exponencialmente e estão em todos os lugares do poder e de decisão.
E o país parado, com os seus cidadãos descontentes, protestando entre si, insultando, dizendo mal, mas cada vez mais acomodados no seu sofá, seguindo as quotidianas novelas de mais um escândalo que agora abrem, por regra, os telejornais.
"Uma nova sociedade solidária, submetida aos valores supremos da justiça, que saiba valorizar os méritos de todos quantos contribuem para o progresso social e que seja capaz de punir quem comete crimes graves, uma sociedade criativa na cultura, na educação, nas artes e na economia, uma sociedade ecológica que saiba preservar os seus recursos e a diversidade da natureza, que combata o desperdício e promova o consumo inteligente e adequado ao desenvolvimento justo e equilibrado dos cidadãos num quadro de sustentabilidade económica e ecológica, uma sociedade que valorize a felicidade individual, uma sociedade que invista no conhecimento e na ciência."
Foto: ATP
quarta-feira, 7 de abril de 2010
segunda-feira, 29 de março de 2010
A Invasão
O grupo reuniu discretamente no topo setentrional da Augusta via, mesmo junto ao Rossio. Os seus componentes fizeram aproximações a partir de vários pontos da praça. Os primeiros a chegar, já tinham trocado as primeiras informações e acertado os relógios dentro da Tendinha.
À hora pontual, 11h47m, estavam todos reunidos.
Cinco oficiais superiores e três adjuntos, olharam mais uma vez para os planos da missão. Mera formalidade dado a mesma vir sendo preparada meticulosamente há várias sextas-feiras, num local oposto da cidade, longe da curiosidade mórbida dos canais televisivos e do serviço de “escuteiros”.
O nome com que baptizaram a operação “Goa e as suas tentações” queria dizer tudo e, ao mesmo tempo, nada dizia. Única certeza: invadir Goa. Só que desta feita, não se optaria pela rota do Cabo nem tão pouco do Suez, mas sim e contra tudo o que preconizam os tratados castrenses, pelo Poço do Borratém. É que eles sabiam que escolhendo esta solução, teriam garantido o apoio, em caso de baixas, de dois hospitais de campanha: o das Camisas situado em frente à Pensão Alcobia “Pague uma noite e goze o dia” e o dos Casacos, ao virar da esquina, que por acaso também conserta calças e faz bainhas.
Voltemos à missão. Em pequenos e fingidamente desacautelados grupos de 2 ou 3 operacionais, atravessaram a Betesga, contornaram a Figueira por sul, afloraram à Madalena e entraram no Poço. Quando este deixou de o ser para se assumir como Alegrete, os 8 já reunidos, dispuseram-se em cunha e de uma rajada invadiram S. Pedro que logo ali passou a Mártir.
Às 11h58m52s estavam às portas de Goa. O responsável pela fortaleza, ao reparar nas expressões determinadas dos súbitos invasores, assomou à porta e informou: “Estamos a acabar de limpar o chão. Esperem só mais um bocadinho”
Pouco passava do meio-dia quando os bravos tomaram a praça. Depois tomaram as entradas, tomaram as bebidas, tomaram o resto e no final tomaram a decisão de, dentro em breve, repetirem o ataque.
É que é muito difícil resistir às Tentações de Goa.
Para outros possíveis invasores: Tentações de Goa – comida goesa - Rua S. Pedro Mártir, nº 23 r/c Lisboa.
Repórter Pólux (José Castor)
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sexta-feira, 19 de março de 2010
Novo nicho
Quem anda à procura de parceiros investidores para um projecto revolucionário é Carlina Buraca. A explicação, dada pela própria, é a seguinte: “Ómessa! Não há cerveja sem álcool!? E laranjadas sem açúcar!? E café sem cafeína!? E jogos de futebol sem espectadores!? E eleições sem derrotados!? Pois então, eu quero impor-me no mercado ecológico e vou vender campos de golfe integralmente lisos. Só numa segunda fase é que vou vender os buracos! E isto se for contemplada pelos fundos do QREN!”
Segundo o vespertino económico “Aurora Financeira”, já haverá um empresário do norte interior a aguardar vivamente pela segunda fase para investir, também a fundo, nos buracos da Carlina.
(Vinhetas Sociais - Autor: José Castor)
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sexta-feira, 12 de março de 2010
Imprevistos
Repórter Pólux
A Assembleia Municipal de Sant’Olga da Serra, nomeou uma CE - Comissão de Ética para apurar se o Presidente da edilidade mentiu, ou não, quando, instado pela comunicação social local, sobre a pertinente questão da compra da drogaria “Prego a Fundo” por parte da Farmácia “Droga Leve”, se ele sabia do quase negócio, respondeu com um lacónico e filosófico “sei que não sei”.
Foi precisamente esta afirmação socrático-negativa que levou a que um grupo de deputados municipais pertencentes ao maioritário grupo dos portugueses que nunca mentiram, não mentem e jamais mentirão, dinamizassem de imediato uma comissão, dita de ética, para esclarecer todos os aspectos que se prendem com o tema, nomeadamente se a tal compra que o presidente impediu que se fizesse, fazia parte de um plano mais vasto e tenebroso de controlo de todas as drogarias portuguesas.
Já foram ouvidas 18.564 intervenientes na questão que pouco ou nada esclareceram sobre o assunto.
Ontem mesmo, quando questionado sobre este impasse, o presidente da CE, chamou a atenção para o facto de ainda só terem sido ouvidos 0.18% da população, “pelo que ainda há muita louça para partir”, sic.
Curiosamente, ou não, poucos minutos após estas afirmações terem sido proferidas, entrou na sala da Comissão, um grupo de três elementos com vagas feições de leste que a princípio se julgou tratar-se de turistas que também pretendiam prestar os seus depoimentos ou distribuir panfletos promocionais de um qualquer detergente, mas que logo se concluiu, mais não fosse pelas klashnikov que empunhavam, não serem bem essas as suas intenções.
Duas horas e quarenta minutos depois, os deputados sem palidez nos rostos e sem carteiras nas algibeiras, retomaram os trabalhos com os seguintes considerando e proposta apresentados pelo presidente:
“Considerando que os inesperados visitantes, porventura inadvertidamente, levaram consigo os gravadores de som e imagem, proponho que voltemos ao início das audições mas desta vez numa comissão mais restrita, e que essa comissão se constitua como Comissão de Estética para impedir que qualquer bicho-careto, sic, venha intrometer-se nos nossos trabalhos.”
A proposta foi aceite e os trabalhos, dada a urgência, irão recomeçar logo a seguir ao período de Natal.
#Repórter Pólux
(Vinhetas Sociais - Autor: Repórter Pólux)
A Assembleia Municipal de Sant’Olga da Serra, nomeou uma CE - Comissão de Ética para apurar se o Presidente da edilidade mentiu, ou não, quando, instado pela comunicação social local, sobre a pertinente questão da compra da drogaria “Prego a Fundo” por parte da Farmácia “Droga Leve”, se ele sabia do quase negócio, respondeu com um lacónico e filosófico “sei que não sei”.
Foi precisamente esta afirmação socrático-negativa que levou a que um grupo de deputados municipais pertencentes ao maioritário grupo dos portugueses que nunca mentiram, não mentem e jamais mentirão, dinamizassem de imediato uma comissão, dita de ética, para esclarecer todos os aspectos que se prendem com o tema, nomeadamente se a tal compra que o presidente impediu que se fizesse, fazia parte de um plano mais vasto e tenebroso de controlo de todas as drogarias portuguesas.
Já foram ouvidas 18.564 intervenientes na questão que pouco ou nada esclareceram sobre o assunto.
Ontem mesmo, quando questionado sobre este impasse, o presidente da CE, chamou a atenção para o facto de ainda só terem sido ouvidos 0.18% da população, “pelo que ainda há muita louça para partir”, sic.
Curiosamente, ou não, poucos minutos após estas afirmações terem sido proferidas, entrou na sala da Comissão, um grupo de três elementos com vagas feições de leste que a princípio se julgou tratar-se de turistas que também pretendiam prestar os seus depoimentos ou distribuir panfletos promocionais de um qualquer detergente, mas que logo se concluiu, mais não fosse pelas klashnikov que empunhavam, não serem bem essas as suas intenções.
Duas horas e quarenta minutos depois, os deputados sem palidez nos rostos e sem carteiras nas algibeiras, retomaram os trabalhos com os seguintes considerando e proposta apresentados pelo presidente:
“Considerando que os inesperados visitantes, porventura inadvertidamente, levaram consigo os gravadores de som e imagem, proponho que voltemos ao início das audições mas desta vez numa comissão mais restrita, e que essa comissão se constitua como Comissão de Estética para impedir que qualquer bicho-careto, sic, venha intrometer-se nos nossos trabalhos.”
A proposta foi aceite e os trabalhos, dada a urgência, irão recomeçar logo a seguir ao período de Natal.
#Repórter Pólux
(Vinhetas Sociais - Autor: Repórter Pólux)
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segunda-feira, 8 de março de 2010
O tempo de Mario Quintana
O Tempo
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê já é sexta-feira!
Quando se vê já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente
e iria jogando pelo caminho o casco dourado e inútil das horas...
Seguraria o amor que está à minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais:
não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será o desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.
Mario Quintana
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê já é sexta-feira!
Quando se vê já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente
e iria jogando pelo caminho o casco dourado e inútil das horas...
Seguraria o amor que está à minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais:
não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será o desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.
Mario Quintana
sexta-feira, 5 de março de 2010
006676654987
Fartos de levarem nas orelhas por raramente acertarem nas previsões meteorológicas, os técnicos do ITL-Instituto do Tempo Local, criaram um novo serviço de atendimento telefónico que se tem revelado muito interessante para as partes interessadas.
É simples: marca-se o número em epígrafe e uma voz gravada e muito agradável informa-nos:
“Se pretende saber que tempo fez ontem, marque 1.
Se pretende saber que tempo está a fazer hoje, marque 2.
Se pretende saber que tempo fará amanhã, telefone depois de amanhã”.
Embora a primeira chamada saia cara, uma vez que o callcenter está em Singapura, as restantes saem em conta porque não voltam a acontecer. E o investimento alternativo no Borda-d’água é despiciendo.
Diversos serviços meteorológicos estrangeiros manifestaram-se interessados em adquirir este serviço que já está patenteado.
(Vinhetas Sociais - Autor: José Castor)
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
A crise quando nasce é para todos
E o jet set nacional não escapa.
A colunável Kyki Bailindo esteve a passar, de forma discreta, oito dias de férias de neve sem neve no Vale do Trancão. Sempre acompanhada pelo ex-namorado, pelo actual companheiro e pelo futuro pai dos seus filhos, Kiky, raramente saiu de casa e só mesmo à noitinha é que assomava ao alpendre da moradia para fruir um pouco da maresia local e ver as obras de reparação do viaduto que felizmente seguem a bom ritmo.
Questionada por sms, porque razão este ano escolheu o Trancão, Kiki limitou-se a responder, de forma abreviada e pela mesma via: játi nharre pará donisso.
(Vinhetas Sociais - Autor: José Castor)
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Bate-bate coração
O actor Tiró Álvaro tem nova namorada. Apesar dos esforços para esconder a recente relação, Tiró e a modelo Titi Balsa já foram vistos, de mão dada, no mini, no super, no hiper e até no comércio local. A vizinhança confirma que moram no 5º andar tardoz do prédio da esquina, desde que se enamoraram à primeira vista. Nem o facto do actor andar a deixar crescer o bigode, por causa das cenas da próxima telenovela, e a modelo andar a deixar crescer a barriga, por causa das cenas do costume, lhes permite terem o anonimato desejado.
(Vinhetas Sociais - Autor: José Castor)
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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Comida e Afectos
Costuma dizer o meu Amigo António Pinho, homem da cultura, que as refeições entre os amigos passam mais pelos afectos que pela comida.
Concordo plenamente.
Mas quando à mesa de um anfitrião açoriano de gema se apresentam todas as variedades possíveis de queijo do seu arquipélago, então, o repasto passa não só pelos afectos mas também pela comida.
E o grupo, um misto de seniores e juniores, interpretou o evento como uma sinfonia de sabores e afectos.
Concordo plenamente.
Mas quando à mesa de um anfitrião açoriano de gema se apresentam todas as variedades possíveis de queijo do seu arquipélago, então, o repasto passa não só pelos afectos mas também pela comida.
E o grupo, um misto de seniores e juniores, interpretou o evento como uma sinfonia de sabores e afectos.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Separação Inesperada
Depois de uma relação que durava há milénios, Abominável Homem das Neves separou-se de sua mulher. Desconhecem-se os verdadeiros motivos embora uma amiga próxima do casal tenha deixado escapar a inconfidência que tal, se deve ao facto de estar a nevar acima dos 400 metros o que terá alargado de um dia para outro a área de diversão nocturna de Abominável, permitindo-lhe assim, aceder a algumas casas de alterne que se situam a essa cota.
Fomos ao Colo do Pito, junto à A24, confirmar com a sua ex, mas Abominável Mulher do Neves, derretida em estalactites de lágrimas, apenas nos disse que só consegue descer aos 550, vá lá, 540 metros. E, lívida, sumiu no branco.
(Vinhetas Sociais - Autor: José Castor)
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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
O biscoito
E depois do champagne a jorrar, aqui em baixo, como símbolo do Ano Novo, teria mesmo de mostrar o biscoito que foi vedeta nas últimas festivas confraternizações com os Amigos.
Este bolinho, um ícone da minha terra, que a Dona Maria Joaquina, artista-confeiteira local, celebrizou durante mais de meio século no seu ambiente caseiro e particular, tem um formato singular. Um formato completamente inócuo para os meus olhos e dos meus conterrâneos, habituados desde sempre à geometria diferenciadora do biscoito.
Mas afinal a outros olhos, olhos virgens neste caso, correspondem outras visões. A minha amiga Ana, por exemplo, confrontada pela primeira vez com o biscoito, comentou-me que via o bolinho como o símbolo da fecundidade da natureza dado o seu comprometedor aspecto fálico.
Com alguma dificuldade e passados muitos minutos de atenta observação, devo confessar que também mudei a minha cristalizada visão. Mas agora adquiri uma dúvida que nunca terei oportunidade de esclarecer:
Em que estaria a pensar a criadora do biscoito quando o desenhou?
Este bolinho, um ícone da minha terra, que a Dona Maria Joaquina, artista-confeiteira local, celebrizou durante mais de meio século no seu ambiente caseiro e particular, tem um formato singular. Um formato completamente inócuo para os meus olhos e dos meus conterrâneos, habituados desde sempre à geometria diferenciadora do biscoito.
Mas afinal a outros olhos, olhos virgens neste caso, correspondem outras visões. A minha amiga Ana, por exemplo, confrontada pela primeira vez com o biscoito, comentou-me que via o bolinho como o símbolo da fecundidade da natureza dado o seu comprometedor aspecto fálico.
Com alguma dificuldade e passados muitos minutos de atenta observação, devo confessar que também mudei a minha cristalizada visão. Mas agora adquiri uma dúvida que nunca terei oportunidade de esclarecer:
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
O Homem do Chapéu
Menos frequentemente que outrora, agora praticamente só na semana natalícia, percorro a pé a rua mágica da cidade. Mágica pelas novidades e exclusividade de artigos que não vejo em mais lado algum. Só ali, naquele comércio, tradicional, intemporal e em que cada porta é uma loja.
Na mais comercial rua da cidade - a rua da Cale - este "Homem do Chapéu" continua alheado à evolução dos tempos e mantém-se fiel ao seu criador, permanecendo inamovível no seu lugar de estrela, bem no centro da montra da casa dos chapéus, há mais de meio século.
Esta figura, de rosto jovem com bigode dos anos trinta, continua a promover o chapéu-tipo daqueles anos sem se importar com a moda e o desuso da peça.
Desde que me conheço, que conheço esta imagem iconográfica, a quem, eu própio, enquanto jovem adolescente, me rendi, quando na sua cabeça brilhava o célebre modelo borsalino.
Parafraseando o anúncio hoje em voga: Podia percorrer a rua da Cale sem o "Homem do Chapéu" ? Poder, podia, mas não era a mesma coisa...
O "Homem do Chapéu" é um ícone!
Não só da rua mas também da cidade.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
O Dia dos Abalos
Quando à 01h30 desta madrugada acordei com o ranger da madeira da cama pensei que o meu fiel amigo, o Gilinho, me tivesse ido visitar e, contrariamente ao que é costume, passar o resto da noite fora da sua casota. Mas não! O Gilinho continuava nos seus aposentos e eu sem certezas do que teria acontecido.
A confirmação de um abalo telúrico tive-a logo que liguei a TV pela manhã e vejo de imediato a cara do responsável ministerial. Percebi então que a máquina que nos protege nestas situações tinha funcionado e que o ministro estava plenamente satisfeito com a eficácia demonstrada. Magnífico, o primeiro abalo do dia, o telúrico, tinha-se resolvido por ele próprio!
Mas o segundo abalo do dia veio logo de seguida, agora, através da rádio. O ecomomista Octávio Teixeira dizia, na sua conversa semanal com a jornalista Eduarda Maio, da Antena 1, que o salário mínimo nacional previsto para 2010, tinha um poder de compra inferior em 15% comparativamente ao existente antes da revolução de Abril de 1974, isto é, há 35 anos.
Como? Teria ouvido bem? Claro que sim. É fácil perceber que os pobres estão, cada ano que passa, mais pobres e isto não pode deixar de fazer corar de vergonha os democratas que têm governado o país nas últimas décadas.
Mas como diz o ditado que, não há dois sem três, veio de imediato o terceiro abalo do dia. O sociólogo e pensador António Barreto confirmava, em entrevista à comunicação social, que a justiça em Portugal está pior hoje que a existente no regime ditatorial de antes do 25 de Abril. Aqui não tive dúvidas se teria ouvido bem. Mas sendo inacreditável conceber um retrocesso destes em pleno regime democrático é facil encontrar uma explicação. É que os homens que fazem a justiça hoje são formatados para as câmeras de TV e os de antigamente eram formados em leis e discretos na aplicação da justiça.
Provavelmente teria ouvido falar de outros abalos ao longo do dia, se continuasse atento, por exemplo, nas áreas da educação e da saúde, mas aqui, penso, de grau menor na escala.
Mas este foi mesmo o dia dos abalos.
Haja saúde!
A confirmação de um abalo telúrico tive-a logo que liguei a TV pela manhã e vejo de imediato a cara do responsável ministerial. Percebi então que a máquina que nos protege nestas situações tinha funcionado e que o ministro estava plenamente satisfeito com a eficácia demonstrada. Magnífico, o primeiro abalo do dia, o telúrico, tinha-se resolvido por ele próprio!
Mas o segundo abalo do dia veio logo de seguida, agora, através da rádio. O ecomomista Octávio Teixeira dizia, na sua conversa semanal com a jornalista Eduarda Maio, da Antena 1, que o salário mínimo nacional previsto para 2010, tinha um poder de compra inferior em 15% comparativamente ao existente antes da revolução de Abril de 1974, isto é, há 35 anos.
Como? Teria ouvido bem? Claro que sim. É fácil perceber que os pobres estão, cada ano que passa, mais pobres e isto não pode deixar de fazer corar de vergonha os democratas que têm governado o país nas últimas décadas.
Mas como diz o ditado que, não há dois sem três, veio de imediato o terceiro abalo do dia. O sociólogo e pensador António Barreto confirmava, em entrevista à comunicação social, que a justiça em Portugal está pior hoje que a existente no regime ditatorial de antes do 25 de Abril. Aqui não tive dúvidas se teria ouvido bem. Mas sendo inacreditável conceber um retrocesso destes em pleno regime democrático é facil encontrar uma explicação. É que os homens que fazem a justiça hoje são formatados para as câmeras de TV e os de antigamente eram formados em leis e discretos na aplicação da justiça.
Provavelmente teria ouvido falar de outros abalos ao longo do dia, se continuasse atento, por exemplo, nas áreas da educação e da saúde, mas aqui, penso, de grau menor na escala.
Mas este foi mesmo o dia dos abalos.
Haja saúde!
sábado, 5 de dezembro de 2009
A Tibórnia
A definição de Tibórnia que encontrei nos dicionários:
- Pão quente embebido em azeite novo.
ou
- Refeição que se usa nos lagares de azeite e que consta de bacalhau cozido, batatas e couves, tudo temperado com azeite novo.
Muito, muito, azeite novo! (acrescento, agora, eu...)
corresponde inteiramente à imagem que guardo da minha juventude quando acompanhava nos lagares a transformação das nossas azeitonas (como custavam a colher e a apanhar!...) em azeite.
Era uma sensação única, poder estar dentro de um lagar de azeite no frio mês de Dezembro em plena Beira. O contraste das condições criadas no interior pelas enormes caldeiras aquecidas com fogo de lenha, com as condições adversas do clima (chuva, neve e frio) no exterior, proporcionavam um bem estar muito difícil de descrever. A festa no lagar completava-se comendo as enormes fatias de pão torrado que se embebiam directamente na bica do azeite acabadinho de nascer.
Mas a tibórnia era também uma lauta refeição, à base de couves e batatas que literalmente nadavam em fundos pratos de azeite, oferecida pelos donos do lagar aos seus amigos (como era difícil um convite...) quando a funda era boa!
Hoje há Tibórnias para vários gostos.
Servidas com pratos regionais nos melhores restaurantes da cidade, integradas no 6º Festival da Tibórnia que se prolonga até 15 de Dezembro no Fundão.
Sinais dos tempos modernos...
- Pão quente embebido em azeite novo.
ou
- Refeição que se usa nos lagares de azeite e que consta de bacalhau cozido, batatas e couves, tudo temperado com azeite novo.
Muito, muito, azeite novo! (acrescento, agora, eu...)
corresponde inteiramente à imagem que guardo da minha juventude quando acompanhava nos lagares a transformação das nossas azeitonas (como custavam a colher e a apanhar!...) em azeite.
Era uma sensação única, poder estar dentro de um lagar de azeite no frio mês de Dezembro em plena Beira. O contraste das condições criadas no interior pelas enormes caldeiras aquecidas com fogo de lenha, com as condições adversas do clima (chuva, neve e frio) no exterior, proporcionavam um bem estar muito difícil de descrever. A festa no lagar completava-se comendo as enormes fatias de pão torrado que se embebiam directamente na bica do azeite acabadinho de nascer.
Mas a tibórnia era também uma lauta refeição, à base de couves e batatas que literalmente nadavam em fundos pratos de azeite, oferecida pelos donos do lagar aos seus amigos (como era difícil um convite...) quando a funda era boa!
Hoje há Tibórnias para vários gostos.
Servidas com pratos regionais nos melhores restaurantes da cidade, integradas no 6º Festival da Tibórnia que se prolonga até 15 de Dezembro no Fundão.
Sinais dos tempos modernos...
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Pelo S. Martinho Castanhas e Vinho
Pelo S.Martinho com quatro castanhas e uma pinga de água-pé, faz os velhos andar a pé.
(Provérbio popular português)
Foi no Clube Militar Naval em Lisboa - Um clube com história... de 143 anos
sábado, 7 de novembro de 2009
Gente Nova que canta... O Fado
Sandra Correia, uma voz de Santa Maria da Feira, que descobri através do Youtube, vai com certeza seguir a linhagem e o caminho dos grandes fadistas portugueses.
Vale a pena ouvir!
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
As Sardinhas de Outono
Aos dois provérbios populares portugueses que conheço:
"No S. João, a sardinha pinga no pão."
"Quem em Março come sardinha, em Agosto lhe pica a espinha."
junto-lhe um terceiro inventado agora por mim:
"Quem no Outono come sardinha é porque em Portugal se aninha."
Conrad, um cidadão do mundo com origem italiana, meu antigo companheiro de trabalho em Portugal e sua mulher Cecília, peruana de alma e coração, intercalam agora a sua vida entre o Perú e o nosso país.
E para lembrar que quem em Portugal se aninha mesmo no Outono come sardinha, aproveitaram um quente e solarengo dia de Outubro para uma degustação da dita cuja com os amigos.
E o ambiente na sua magnífica casa de Cascais não poderia ter sido melhor:
Sol, sabor a mar e uma boa conversa entre velhos conhecidos
"No S. João, a sardinha pinga no pão."
"Quem em Março come sardinha, em Agosto lhe pica a espinha."
junto-lhe um terceiro inventado agora por mim:
"Quem no Outono come sardinha é porque em Portugal se aninha."
E para lembrar que quem em Portugal se aninha mesmo no Outono come sardinha, aproveitaram um quente e solarengo dia de Outubro para uma degustação da dita cuja com os amigos.
E o ambiente na sua magnífica casa de Cascais não poderia ter sido melhor:
Sol, sabor a mar e uma boa conversa entre velhos conhecidos
Buona fortuna, Conrad, "El Capitano"!
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Ao Chícharo o que é do Chícharo!

Quer ir ao Festival do Chícharo em Alvaiázere?
Esta pergunta do meu amigo António, jornalista e homem da cultura, deixou-me atordoado e um pouco complexado. Não fazia ideia do que era o Chícharo e para chegar a Alvaiázere teria que utilizar o GPS.
Mas não dei parte de fraco!
No dia combinado lá seguimos viagem a caminho do Festival e, eu, confiante, com a noção de entretanto ter sabido quase tudo sobre o Chícharo e Alvaiázere.
Mas uma coisa é aquilo que imaginamos e outra é a realidade bem diferente.
Afinal, o Chícharo, a leguminosa, que outrora saciava os estômagos de gente com fome, tinha evoluído extraordinariamente e, através da criatividade dos alvaiazerenses, transformou-se numa iguaria gastronómica com diversificada aplicação na ementa alimentar.
Degustar o Chícharo numa sopa, como acompanhamento de um lombo de bacalhau frito, num prato de carne, num pudim, numa tarte ou em licor é uma sensação que se recomenda.
Aliás, o debate na Casa da Cultura - um dos muitos equipamentos sociais de grande nível em Alvaiázere - "O que é bom terá de acabar?." Práticas Gastronómicas do Passado para o Presente - muito bem moderado pelo meu amigo António Manuel Pinho, demonstrou isso mesmo.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
O Contributo do General

O General Lages Ribeiro, um especialista na área da defesa, das relações internacionais e da estratégia, meu prezado amigo e companheiro das tertúlias de 6ª feira, surpreendeu-me, num destes dias, com a sua publicação "DICIONÁRIO DE TERMOS E CITAÇÕES DE INTERESSE POLÍTICO e ESTRATÉGICO".
Um trabalho notável, feito de recolha e selecção, ao longo de uma vida, de citações obtidas na sua maioria na imprensa diária e semanal (nacional e estrangeira) e cuja função é esclarecer o significado e o âmbito dos termos ou expressões em análise.
Não é um dicionário tradicional mas sim, como escreveu Adriano Moreira, Presidente da Academia das Ciências de Lisboa:
Um surpreendente e excelente dicionário (...) muito útil, sobretudo no sentido de melhorar os apoios dos comentaristas (...) Mas também para o trabalho diário, designadamente de estudantes que necessitam de coisas mais seguras do que as que costumam utlizar.
A minha vénia, General, pelo seu enorme "CONTRIBUTO".
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Maria La Catalana
María, la catalana, que foi María la portuguesa, enquanto viveu em Lisboa durante dois anos, é uma saudosista.
Sempre que pode aí está ela em Portugal para rever e conviver com os muitos amigos que aqui deixou. De preferência com sardinhas e vinho tinto numa taberna de Alfama.
Neste último fim de semana, compartilhámos a sua companhia e do seu "novio" Jorge, um peruano atípico (loiro e de olhos azuis).
A minha homenagem à catalã, de quem, na multinacional onde trabalhámos, fui "su maestro" e que gosta de Portugal e dos portugueses com:
"Maria la portuguesa" que o espanhol Carlos Cano compôs para a nossa Amália.
En las noches de luna e clavel,
de Ayamonte hasta Vilarreal,
sin rumbo por el río entre suspiros una canción viene y va.
se la canta María al querer de un andaluz,
María es la alegría y es la agonía que tiene el sur.
Aaah, María la portuguesa,
desde Ayamonte hasta Faro
se oye ese fado por las tabernas
donde bebe viño amargo,
por qué canta con tristeza,
porque sus ojos cerraron,
por un amor desgraciado,
por eso canta, por eso pena.
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