segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

O biscoito


E depois do champagne a jorrar, aqui em baixo, como símbolo do Ano Novo, teria mesmo de mostrar o biscoito que foi vedeta nas últimas festivas confraternizações com os Amigos.

Este bolinho, um ícone da minha terra, que a Dona Maria Joaquina, artista-confeiteira local, celebrizou durante mais de meio século no seu ambiente caseiro e particular, tem um formato singular. Um formato completamente inócuo para os meus olhos e dos meus conterrâneos, habituados desde sempre à geometria diferenciadora do biscoito.

Mas afinal a outros olhos, olhos virgens neste caso, correspondem outras visões. A minha amiga Ana, por exemplo, confrontada pela primeira vez com o biscoito, comentou-me que via o bolinho como o símbolo da fecundidade da natureza dado o seu comprometedor aspecto fálico.

Com alguma dificuldade e passados muitos minutos de atenta observação, devo confessar que também mudei a minha cristalizada visão. Mas agora adquiri uma dúvida que nunca terei oportunidade de esclarecer:



Em que estaria a pensar a criadora do biscoito quando o desenhou?

7 comentários:

imenso-pedro disse...

É assunto para uma pesquisa na biblioteca ou junto dos estudiosos e interessados da Terra. Porque não assume essa tarefa?

ATP disse...

Imenso - Amigo Pedro,
É realmente uma excelente sugestão. Creio que só localmente e ao vivo poderei ter algum êxito pois tanto quanto sei é mesmo uma criação que durante dezenas de anos só foi explorada particularmente e sem qualquer apoio de organizações que hoje existem para tudo mas que naquele tempo não havia.
Obrigado Pedro e um abraço do ATP

Tite disse...

Olha amigo,

Também acho que devias dedicar-te a pesquisar mais sobre o assunto.
A minha impressão muda consoante vejo o biscoito em pé ou sentado rsrsrs.
Em pé (1ª foto) parece-me um animal que tanto pode ser cão, gato, coelho ou ovelha... por aí.
Sentado (2ª foto) dá-me ideia de um bebé, uma mãe com filho ao colo ou um tocador de acordeão.

Achas que dei pistas suficientes?

Verdes Abraços

ATP disse...

Impressionante Amiga Tite!
Realmente impressionante a quantidade de interpretações que a imaginação da Tite produziu e que agora a minha mente também reconhece como possíveis. Fantástico!
Faz-me lembrar os famosos testes psicotécnicos dos anos 70 onde apareciam uns borrões de tinta-teste de Rorschach-para identificar possíveis figuras/objectos. Havia quem não visse absolutamente nada e outros muita coisa. A interpretação dependia do psicólogo que analisava.
Obrigado Tite, pois aguçaste-me mais a curiosidade sobre o que estaria a pensar a criadora deste peculiar biscoito.
Quem diria que a minha amiga Ana, com a sua interpretação fálica do biscoito, iria provocar esta discussão que agora terei de extender aos confins dos arquivos lá da terra.
Um abraço do ATP

Tite disse...

Amigo ATP,

Claro que agora vou ficar extremamente curiosa para ver quem acertou, né?

Verdes Abraços

frontal disse...

Se a inspiração era fálica representa o membro viril cortado a fazer lembrar o desenlace de "O Império dos Sentidos" dos anos setenta (?). Não pode deixar de me provocar um arrepio como o filme sempre o vi (2 ou 3 vezes). Ou então a simples timidez da inventora que quiz deixar os vindouros na dúvida sistémica que engendra tantas interpretações (em princípio à vontade do "freguez") e que permitem que se extraia da imagem tanto quanto a imaginação alcance.
Porém sem esquecer o objecto do dito biscoito sempre pergunto: "E é bom? E enquanto se come trocam-se olhares maliciosos ou até há quem dê uma forte dentada incomodando quantos perversos por alí estejam olhando de soslaio as companheiras(?) de festim"?
E finalmente faz-se comer por cristãos e pagãos sempre com boa disposição? Se a resposto é sim, só pode ser um bom biscoito.
Espero não ter contribuido para aumentar a confusão, garanto que não era essa a intenção...
Abraço verde azulado (nos tempos que correm não se pode escamotear a crise do verde)

ATP disse...

Amigo Frontal,

o biscoito é bom, faz-se comer por cristãos e pagãos e agora, com este marketing todo, parece que já tem também propriedades afrodisíacas...
Um abraço só verde ( apesar da crise)